A Serra do Japi e Microrregião - O paraíso é logo alí.

Nosso primeiro destino não estava longe, ao contrário estava bem perto e quase inacreditavelmente a menos 1h30 de São Paulo. Uma pequena cadeia montanhosa localizada no sudeste do estado com seus 354 quilômetros quadrados, com picos de até 1.200 metros de altitude, A Serra do Japi faz divisa com quatro municípios Jundiaí, Pirapora do Bom Jesus, Cajamar e Cabreúva.

Como que se abrissemos uma janela para um recanto com cara de interior cheio de paisagens preservadas com um raro remanescente de mata atlântica no interior de São Paulo. Boa parte da área é tombada e declarada reserva da biosfera pela UNESCO.

Seu nome tem várias justificativas, como a semelhança com o canto de um pássaro (iapi, iapi), e o significado da palavra tupi-guarani iapy (nascente de rios). A riqueza hídrica da Serra, mereceu a denominação de “castelo de águas” por parte de naturalistas europeus. A Serra do Japi também representa uma das últimas grandes áreas de floresta contínua do Estado de São Paulo e é o testemunho de uma flora e fauna exuberante.

Mas o Japi também é a casa do homem, e uma nova leva de aventureiros e antigos moradores com novas visões estão encontrando na convivência harmoniosa com o meio ambiente e tornando pequenas propriedades e negócios familiares cheios de inspiração em um recanto produtivo e consciente.

A muitos anos um amigo ciclista já havia nos levado ao japi para banhar-se em cachoeiras pequeninas, já haviamos nas redondezas de jundiaí almoçando no saudoso Spiandorello (Não deixe de visitar esta cozinha de fazenda a beira de um ribeirão) já olhavamos aquelas encostas verdes logo alí e pensavamos que lugar lindo tão dentro da cidade. Mas foi através do projeto tocado por Érico Kolya no simpático sítio chamado Pé do Morro que abrimos os olhos pra região de verdade.

O Pé do Morro é uma propriedade em Cabreúva, no alto da Serra do Japi que busca a produção orgânica e natural de queijos, vinhos, azeites (Um dia quem sabe... por hora as oliveiras ainda crescem e ganham corpo). Lá produtos com nome e sobrenome são feitos, cheios de uma identidade própria, respeitando as nossas condições locais. Hoje produzindo 6 queijos diferentes, desde queijos jovens e de textura cremosa como o quark que fica pronto em 3 dias até queijos de massa mais dura e de longa maturação como o Sol do Japi que pode maturar por mais de 1 ano. Lá Érico e seu núcleo familiar e funcionários que sabem das coisas produzem também, manteiga, geléias, doce de leite, mel e vinho.
A história do projeto nasceu em Setembro de 2016 quando Érico se mudou definitivamente para Cabreúva, mas na verdade, começou um pouco antes. Durante o primeiro semestre daquele ano, ele morou com produtores rurais na Argentina, Alemanha e Suíça, trabalhando com vinho, gado, leite e queijos onde trabalhava em troca de aprendizado, cama e comida. Uma destas histórias inspiradoras de vida sabe?

Bem, Érico nos fez querer saber mais, e logo nos despertou pra um pequeno movimento que acontecia alí onde dividiam soluções logisticas, se articulavam com as prefeituras e cada um aos poucos ia resgatando algo tradicional ou se reeinventando em algo absolutamente novo.

Então  nesta busca, redescobrimos um produtor de vinho de sotaque bem italiano instalado logo alí que se autointitulam uma CANTINA de produção de vinhos em ambiente agroecológico. Antonio Pizzolante e sua esposa tocam uma pequeníssima produção de vinhos sem glamour mas cheios de simplicidade e alma. A uva Syrah reina mas algumas variantes exóticas tb são cultivadas. Além de vinhos no sítio produzem compotas, mel, café e quitandices. Como é legal encontrar alguém fazendo algo assim fora dos holofotes e com tanta verdade!

Por alí também descobrimos que uma descendente de franceses que já tiveram uma famosa criação de Patos tinham trocado os animais por uma horta colaborativa e fundaram Horta.CAS que planta hortaliças, pancs e ervas. Usando conceitos de permacultura e agrolfloresta, plantam orgânicos nada convencionais e produzem até iguarias como açafrão e aspargos sempre respeitando a sazonalidade.


Boa charcutaria também é encontrada alí na região e a Cold Smoke fica dentro de jundiaí e desde 2015 se dedica a produzir esta antiga arte de conservar e trasformar carnes em deliciosos sabores. Focada em defumação a frio mas também com um linha bastante grande de curados de longa maturação produzem salames, linguiças, bacon, pancetta e nosso predileto - um guanciale. São craques e têm muita técnica e fazem a coisa do jeito mais sério e correto possível.


Por indicação de um grande divulgador e criador de colônias das abelhas sem ferrão da região descobrimos o William que é de Jundiaí, e cria abelhas sem ferrão desde 2014, e recentemente iniciou um projeto de conservação e produção de mel de abelhas sem ferrão em uma propriedade da Serra do Japi.
Lá mais de 11 espécies de abelhas sem ferrão, voam livres devido ao manejo aplicado e a excelente localização, e as abelhas nos brindam com um excelente mel de florada silvestre da mata atlântica, entre os meles estão o mel de Jataí, mandaguari amarela e mandaçaia, que são as principais produtoras.



Escolhemos estes produtores pra representar um pouco de como vivem quem são e o que produzem os moradores deste pequeno pedaço de paraíso logo alí. Muitos deles recebem visitas em suas propriedades e além de poder saborear os produtos uma boa prosa sempre será oferecida a sombra e ao canto dos passarinhos.

O Cateto | Crafters é um projeto itinerante que pretende levar até você pequenos recortes regionais como este em cestas mensais, valorizando o pequeno produtor, as iniciativas transformadoras e os produtos da terra. Saúde, sabor, e sustentabilidade. Nossa missão é proporcionar que você tenha um pedacinho destes lugares na porta da sua casa trazendo o campo pra sua mesa.